sábado, 22 de outubro de 2011

A opinião dos outros por Lúcio Flávio...

Porque o que as outras pessoas pensam tem tanto valor pra gente?

    É comum pedirmos a opinião de algum amigo ou conhecido em determinados momentos de nossas vidas. Estes momentos podem dizer respeito desde a compra de um par de tênis de cor extravagante até conselhos sobre tomadas de decisão de caráter profissional. Todavia o que guarda relação em comum com nossa postura ao agirmos desta forma é o fato de não estarmos seguros em relação a nós mesmos, ou seja, quem sabe que quer de fato um par de tênis de cor vermelha realmente comprará tal produto da mesma forma como se compraria qualquer outra coisa. Aquele que é maduro o suficiente para tomar decisões de caráter profissional, ditas como arriscadas, o faz, pois conhece e pode assumir tais riscos.
    A partir de então, temos o ser tomador de decisões como o possuidor da dúvida em si, e não o objeto sobre o qual ele se debruça e pensa a respeito. Isso quer dizer que as situações em si não comportam dúvidas, mas sim o sujeito que irá tomar a decisão. Dessa forma, observar o objeto motivo da dúvida poderá até parecer útil em um primeiro momento, mas logo se demonstrará infrutífera tal empreitada. E é o que mais acontece ao recorrermos a terceiros lhes expondo todas as dúvidas causadoras de nossa angustia, pois eles poderão observar apenas o objeto, jamais a nós mesmos. Isso se deve ao fato de que essa leitura detalhada acerca do ser é possível apenas pelo próprio ser. Apenas o sujeito poderá se conhecer de forma tão íntima ao ponto de encontrar a luz que lhe guiará para fora da escuridão.
    O conhecimento de si mesmo aparece como pressuposto da autoconfiança, e, é por isso, que antes de buscarmos fora de nós às respostas para nossas indagações é que devemos olhar para dentro de nós mesmos em busca de uma luz.
    Mas e quando já estamos tão acostumados a agir conforme as expectativas dos outros? Quando já temos por hábito pautar nossas decisões de acordo com os limites esperados pelos outros, o que pode ser feito? O que podemos fazer para nos libertar?
    Encontrar nossa própria identidade nesse momento é essencial, ou seja, saber de fato quem realmente somos. E isso se dá por trabalho árduo e demorado onde deveremos estudar a nós mesmos não apenas de forma solitária, mas inclusive em relação aos outros.
 


Autor : Lúcio Flávio

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Amor... Psicologia e Poesia...



“O amor é aquilo que traz consistência e harmonia psíquica, que direciona a energia psíquica, que satisfaz e insatisfaz, num movimento continuo e alternado até ser postergado.

É fruto da imaginação, assim fazemos uma imagem onírica do ser amado e a cristalizamos, ou seja, atribuímos características que consideremos ideais e assim amamos essa imagem como se condizesse com a pessoa que era para amarmos.

Segundo a psicanálise a dor do amor, não é a dor da perda do ser amado, é dor da inconsistência e desarmonia psíquica, causada pela descristalização da imagem onírica do ser amado sobre a qual a psique encontrava sua estabilidade.” ¹

“Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos.Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma idéia nossa. O onanista é abjecto, mas, em exacta verdade, o onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso. É o único que não disfarça nem se engana.

As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha’ complexidade. No próprio acto em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois “amo-te” ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma ideia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constitui a actividade da alma.

Estou hoje lúcido como se não existisse. Meu pensamento é em claro como um esqueleto, sem os trapos carnais da ilusão de exprimir. E estas considerações, que formo e abandono, não nasceram de coisa alguma – de coisa alguma, pelo menos, que me esteja na plateia da consciência.”²

“Todo o homem de hoje, em quem a estatura moral e o relevo intelectual não sejam de pigmeu ou de charro, ama, quando ama, com o amor romântico.

O amor romântico é um produto extremo de séculos sobre séculos de influência cristã; e, tanto quanto à sua substância, como quanto à seqüência do seu desenvolvimento, pode ser dado a conhecer a quem não o perceba comparando-o com uma veste, ou traje, que a alma ou a imaginação fabriquem para com ele vestir as criaturas, que acaso apareçam, e o espírito ache que lhes cabe.

Mas todo o traje, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e em breve, sob a veste do ideal que formamos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em quem o vestimos.

O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceita desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.”³

Para não amar, nunca imagine ou pense que aquela pessoa é única, insubstituível, nas características, nos ideais e tudo aquilo que de forma direta ou indireta faz a pessoa ganhar valor..Pense que ela é substituível, nos defeitos, que não têm valores compatíveis com os seus, sempre olha para ela com um olhar objetivo, ou seja, é um ser humano normal com qualquer outro, todos são especiais e nem por isso amamos todos.



¹ Minha interpretação do livro A DOR DE AMAR de Juan David Nasio.
² e ³ Trechos do livro O LIVRO DO DESASSOSSEGO de Fernando Pessoa.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Saudade...


A saudade, esta ausência, é mais presente que a própria presença material. Sinto-a tão profunda, mais real que a realidade. Não só em relação às pessoas, mas também, a momentos, às coisas e até a falta de momentos. Saudades de quando tinha uma vida mais intelectualmente ativa. Lembro de Oscar Wilde, quando se dirigindo a um amigo disse que os momentos de prazer vividos acabaram com a criação intelectual. Voltando à saudade. Saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existem. Lispector conhecia-a muito bem quando chegou a dizer isso. Saudade é a prova de um passado bem vivido. Quando mais rico o passado maior a saudade, quem não tem saudade teve um passado pobre, bem disse Rubem Alves. Sobre a saudade disse Manoel de Barros: “Tem mais presença em mim o que me falta”. Já me perguntei por que é mais presente a saudade do que o objeto dela, mesmo quando o objeto nem existiu. Parece que Lispector questionou também, pois disse: “É estranho sentir saudade de algo o qual mal vivi ou evitava viver”. Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro, também passou por isso: “Também temos saudade do que não existiu, e dói bastante.” Quer saber se uma pessoa teve um grande passado?! Pergunte-a se sente saudades... Lispector tinha tamanha saudade, conhecia-a tão profundamente, que sentia saudade até por si própria.  Há alguns meses atrás senti saudade de uma coisa que não existiu,  escrevi: “E se ser é aparecer - talvez você não exista - mas e essa saudade "de uma inexistência"?! Saudade do nada para o nada. Talvez não seja nada...”  Saudade é uma palavra que só existe no galego e no português , vem do latim "solitas, solitatis" (solidão), na forma arcaica de "soedade, soidade e suidade" e sob influência de "saúde" e "saudar". Saudade é uma solidão saudável. Solidão por que não se tem o objeto e saudável, pois só quem a tem teve um passado bom. Nas outras línguas usam o termo falta ou ausência para denotar saudade. Acredito que Drummond de Andrade queria dizer saudade, ao invés, de ausência nesse poema:

“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.”


É interessante esse ponto de vista, inverso ao de Fontaine que acreditava que a ausência é a causa de todos os males.  Renato Russo na música Índios expressava: “Quando descobri que é sempre só você (saudade) que me entende do início ao fim e é só você que tem a cura pro meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo que ainda não vi”. Vale a pena a troca da palavra você pela saudade. A saudade nos entende, sabe o que é importante para nós, é ela que nos faz descobrir, que nos faz agir. A cura da saudade é ela própria. Saudade não pode ser uma coisa ruim, como alguns crêem.A roteirista e cronista  Tati Bernardi concorda que a saudade pode ser uma coisa boa: “ Eu tenho saudade de mil coisas e todas essas mil coisas sempre caem na mesma única coisa de que eu tenho tanta saudade.Eu tenho saudade de tudo.Não é um sentimento egoísta e muito menos possessivo. É apenas uma saudadezinha. Gostosa, tranqüila, bonita, saudável, de longe”. Não estou sendo saudosista, termo que carrega grande carga pejorativa, até Deus é a realização da saudade. Numa de suas crônicas Rubem Alves escreve: “Oramos para que aquilo que se perdeu no passado nos seja devolvido no futuro. Acho que Deus não se incomodaria se nós o chamássemos de Eterno Retorno: pois é só isso que pedimos dele, que as coisas da saudade retornem”.  Por último quero deixar um poema que escrevi conversando com minha amiga Layla Almeida (http://doqueeuprecisoelembrar.blogspot.com/ ) :

Saudade são as grandes lembranças que foram para alma
Não procuramos momentos felizes
Procuramos tão somente fazer os momentos virarem saudade
Por ela sabemos que alguém fez bem para nós
E assim vão para alma
É por esta ausência que a falta é mais presente que a presença...

domingo, 9 de outubro de 2011

Sobre se há vida depois da morte por Rubem Alves

- Sobre se há vida depois da morte: Nesta semana, quando as almas piedosas fazem jejum e meditam sobre a paixão e a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, e as almas não piedosas se entregam a rituais gastronômicos de devoração de chocolate, achei apropriado informar os meus leitores sobre aquilo que sinto e penso acerca da vida após a morte. Meu coração está tranquilo e não há dúvidas que o perturbem porque são duas, apenas duas, as possibilidades à nossa frente. Primeira possibilidade: há vida após a morte. Estou tranquilo porque, se há vida após a morte, é porque há um Poder Misterioso que a garante, poder esse a que alguns dão o nome de Deus, sem saber o que ele seja. No caso de haver esse Poder Misterioso, é minha tola convicção (todas as convicções são tolas) de que ele é só amor. Não estou sozinho nessa crença, tendo a meu favor o testemunho de profetas, místicos e poetas. Sendo só amor, é claro que a vida após a morte será uma realização do amor. A idéia de que o Poder Misterioso é um torturador que mantém, para prazer próprio, uma câmara de torturas sem fim chamada inferno, é uma calúnia espalhada pelo seu inimigo. Mas, o que é a realização do amor? O amor se realiza quando recebemos de volta as coisas que amamos e perdemos. É por isso que sentimos saudade. A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar. Assim, em havendo uma vida após a morte, estou certo de que voltarei a subir em jabuticabeiras, a brincar em riachinhos, a balançar no balanço amarrado no galho da mangueira, a comer ora-pro-nobis refogado com carne de porco, angu, feijão e pimenta, a fazer virar a locomotiva maria-fumaça no virador, a empinar papagaios em tardes de céu azul, a catar flores de paineira para com elas fazer soldadinhos... Que mais posso desejar? Como disse a Maria Alice, deve haver tantos céus quantas pessoas há. Meu céu não é igual ao seu. Nem poderia ser. Nossas saudades são diferentes. Em torno de cada pessoa constitui-se um universo. Dizem os astrônomos que há muitos bilhões de anos (para mim não faz a menor diferença se são bilhões ou milhões, porque esses números são impensáveis) houve um estouro gigantesco, o Big-Bang, a partir do qual foram projetados no espaço sem fim os astros celestes que hoje formam o universo que conhecemos. Nada impede que haja infinitos outros, além dos nossos telescópios. Pois eu acho que não foi só isso: todos nós fomos também projetados no espaço sem fim, cada um de nós é uma estrela em volta da qual se forma uma nebulosa espiralada... Essa é a primeira e deliciosa possibilidade. Segunda possibilidade: não há vida após a morte. Nesse caso a morte significa que vou voltar ao lugar onde estive por todo o tempo infinito passado, inclusive no Big-Bang. Esse período de bilhões de anos não me foi doloroso, não me fez sofrer, e nem demorou a passar. E poderei, então, imaginar que o evento maravilhoso do meu nascimento a partir desse caos indefinido poderá se repetir daqui a um bilhão de anos, mas não sofrerei e nem ficarei impaciente, porque estarei mergulhado no sono profundo da não existência. Assim, por que ter medo? Medo eu não tenho. Tenho é tristeza porque esse mundo é muito bom e quereria continuar a fazer minhas coisas por aqui. Pelo menos por agora é isso que sinto. Pode ser que eu venha a mudar de idéia. Fernando Pessoa escreveu um poema que vai assim: “Tenho dó das estrelas, luzindo há tanto tempo, há tanto tempo... Tenho dó delas. Não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas, um cansaço de existir, de ser, só de ser, o ser triste brilhar, ou sorrir... Não haverá, enfim, para as coisas que são, não a morte, mas sim uma outra espécie de fim, ou uma grande razão – qualquer coisa assim como um perdão?” Pode ser que eu venha a sentir esse cansaço e venha a desejar um fim. Mas ainda não me sinto cansado, agora.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Destino e o que é nosso...




Certa vez considerei que o destino faria o que tinha para acontecer. Não sabia que isto faria tanto mal quanto parecia fazer o bem. Isto era para consciência o que a batismo é para o pecado, purificação, bem como o medo o é para as ações, paralisante. Pensei que acreditar no destino era uma questão de que em alguns casos a inevitabilidade é inversamente proporcional a relevância das condutas. Mas isso era do mesmo jeito purificador da consciência e estagnante das ações. Irremediavelmente o tempo, ao nosso arrepio, furta-nos a oportunidade manifesta no estender da mão do destino. Este vez ou outra traz o que é nosso para nós, no momento em que nos falta discernimento. O tempo já nos é, advertido por Quintana, “o mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família.” Não se esqueça que tempo e destino são siameses. Enquanto um trabalha à favor, parece que o outro trabalha contra. Por isso e tudo mais não deixe o que lhe pertence passar por debaixo do nariz. O destino brinca com nós colocando à nossa frente coisas que não nos pertence, fazendo-nos acreditar que nossas são. E assim vamos vivendo acreditando que ele trouxe-nos algo nosso quando na verdade são dos outros e o que nos pertence, acreditam os outros lhes pertencer.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Imaginação...

Dizia Wilde que definir é limitar. 

E nesses dias atuais, não é outra, senão, a única função da educação, transformar os estudiosos em dicionários de definições ambulantes. 

Função esta que começa desde a vida estudantil inicial, em que os alunos, por terem medo de perguntar, não exercem a capacidade imaginativa. 

Esqueceram dos ensinamentos de Sócrates, o primeiro mestre, que acreditava que a imaginação era mais importante, criando assim a maiêutica. 

A prova disto era Einstein, que dizia "A imaginação é mais importante que a ciência, porque a ciência é limitada, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro"; e com QI de 160, revolucionou o mundo tanto quanto Leonardo da Vinci que detém o maior QI nada mais que 220.

Enfim, "a ciência tira a sabedoria das pessoas e costuma convertê-las em fantasmas carregadores de conhecimento." Unamuno

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Às Vezes - Catedral

Às vezes é melhor deixar o barco correr
Às vezes é melhor não ter o que dizer
Às vezes é melhor não confiar em alguém
Às vezes pode ser um risco a correr.


Sabe aquelas horas que são eternidades
Que trazem só distâncias e nunca a verdade.

Sabe aquele medo que não pede licença
Que te soca dormindo, sem tempo de ter reação.

Às vezes é melhor se esconder
 Mas como então viver e aprender sem se machucar

Às vezes eu não quero parar de acreditar
Às vezes da uma vontade louca de parar
Às vezes eu me sinto livre e quero ir pro mar
Às vezes eu não quero nem mesmo pensar.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

DOR



Diante de tudo...
entre o pesar e o prazer
todos a temem,
a querem rejeitar, mas não imaginam...
ela não é a vilã,
na verdade ela é a vontade de vida.
Faz nascer a criança, faz vencer a disputa, inspira, transforma .
Por ela existem os mais belos poemas,
por ela é que o amor prevalece,
por ela se triunfa e se tem coragem,
por ela se consegue ver com outros olhos,
se aprende, cresce, amadurece, eleva o espírito

Não se consegue dela questionar,
defender-se, equivar-se, ela é parte da vida
não é pra entendê-la nem compreender os motivos
não é imputar-lhe razão de acontecer,
não é por merecer !

A dor é superior, é um sentimento criado para espíritos valentes

Quizá seja uma dádiva,
uma sina, uma regra.
A intensidade é para cada um, uma medida incomum !

Ela também nem sempre merece destaque, muito menos apreço
nem sempre tem sentido, nem sempre é valida

enfim, é por meio dela que vivo,
que não me rendo, não desisto, que insisto... o que faço é continuar.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Nem sempre...




Saudade nem sempre é boa....
Superar nem sempre ajuda....
Vencer nem sempre é importante...
Esquecer nem sempre resolve...
Suportar nem sempre enaltece...
A realidade nem sempre é a verdade!

Nem sempre o que parece bom é o que trás benefício

Nem sempre as melhores estradas nos leva aos lugares mais lindos
Quando não se pode ir, ou vir, ficar ou fugir
Quando não se pode indagar, nem omitir

Parece que o fim nunca alcançará
O sonho, nunca realizará
O futuro nunca chegará
O presente se torna atemporal e imóvel

A existência se esvanece, sem tomar conhecimento 

Nem sempre é possível dizer o que vai acontecer
Nem sempre é visível para onde seguir
Nem sempre é fácil saber, o que se deve viver!