terça-feira, 12 de abril de 2011

Avaliação da Performace das Escolas por Rubem Alves


 
O título mais simples para esse artigo seria: “Avaliação da educação”. Mas não quero misturar “educação” com aquilo que as escolas fazem.  A educação é algo que transborda dos limites das escolas. Por vezes ela se  choca com as escolas. Acho que foi Mark Twain que disse que não permitia que a escola interferisse na sua educação... Educação é aquilo que passa a fazer parte do nosso ser. Parte do que sou tem a ver com a música erudita sobre a qual nada se disse nas escolas que freqüentei. Era como se não existisse. Não fazia parte do programa. O mesmo é verdadeiro em relação ao meu prazer em ler, escrever, contemplar a natureza. Essas coisas são parte de mim mesmo. Mas não foi nas escolas que as aprendi.
Quando um professor tenta ensinar alguma coisa ele tem de pressupor que aquilo é importante, não vai ser esquecido, vai fazer uma diferença na vida do seu aluno. Caso contrário o seu trabalho não terá sentido. Assim, ele deve ter a curiosidade de saber sobre o destino das informações e habilidades que tentou ensinar. O que aconteceu com elas?
 Quero sugerir um método para se fazer isso valendo-me de uma metáfora. Imagine que você resolveu se dedicar ao negócio de fabricação de salsichas. Para isso, para transformar carne em salsichas, há uma máquina. Numa das extremidades da máquina coloca-se a carne. Aperta-se um botão. A máquina se põe a funcionar. Na outra extremidade saem as salsichas, prontinhas.  Para se avaliar se a máquina é comercialmente vantajosa basta comparar o peso da carne que foi colocada no funil de entrada com o peso das salsichas produzidas. Se, na entrada, se colocaram 100 quilos de carne e saíram 95 quilos de salsichas, a máquina é ótima. Mas se só saírem 10 quilos de salsichas, a máquina não presta.
 Imaginei que se poderia avaliar o desempenho das escolas por meio de um exame elaborado  segundo o modelo da máquina de salsichas. O objetivo seria comparar o que entrou com o que ficou. Freqüentei escolas por dezessete anos: quatro anos no curso primário, um no curso de admissão, quatro no ginásio, três no curso científico e cinco no curso superior. Multipliquei o número de meses, pelo número de dias, pelo número de horas, pelo número de anos: cheguei ao número 16.320 – o número de horas que passei assentado em carteiras ouvindo as coisas que os professores tentavam me ensinar. É claro que esse número deve estar errado. Seja. De qualquer forma, é muito tempo o tempo de vida que se passa assentado nos bancos escolares. O que sobrou? O exame seria assim:
Primeiro: o programa seria constituído de tudo, absolutamente tudo que se pretendeu ensinar nesses 17 anos, do primeiro ao último ano.
Segundo: aqueles que vão fazer o exame não assinarão os seus nomes porque o que se procura não é o desempenho individual mas o desempenho da máquina escolar.
Terceiro: será proibido freqüentar cursos preparatórios para tais exames. Será proibido também recordar a matéria. Se isso fosse feito o propósito do exame seria abortado. Imagine que um diabético tem de fazer um exame de sangue para testar seu nível glicêmico. Mas ele, malandro, querendo enganar o médico, na véspera do exame só come alface com bife e no dia seguinte pela manhã toma um comprimido de Amaril. O resultado do exame seria totalmente falso. O aprendido é aquilo que fica depois que o esquecimento fez o seu trabalho. O exame que proponho quer saber o que sobrou. Se os examinandos se prepararem para o exame os resultados não revelarão o que realmente sobrou, mas o que foi colocado na memória na última hora.
Eu me sairia muito mal. Não me lembro das classificações das rochas. Lembro-me dos nomes “dolomitas” e “piroclásticas”, mas não sei o que significam. Esqueci-me do “crivo de Erastóstenes”. Não sei fazer raiz quadrada. Não sei onde se encontra a serra da Mata da Corda. Também me esqueci das dinastias do faraós e dos nomes dos imperadores romanos. Lembro-me do princípio de Arquimedes mas não sei a lei de Avogadro.  Não aprendi Latim, o que me causa grande dor porque Latim é música. Sei pouquíssimo de análise sintática, o que não me faz falta para escrever. Escrevo com meu ouvido. Acho que dos 100% de saberes que as escolas tentaram enfiar dentro de mim só sobrariam uns 10%. Você depositaria suas economias mensalmente, num fundo de investimento, por dezessete anos, se você soubesse que depois desses dezessete anos você iria receber só 10% do que você depositou?
Alguns concluirão que a culpa é dos professores. Outros que a culpa é dos alunos. Não creio que a culpa seja dos professores ou dos alunos. Acho mesmo é que culpa é da carne que se põe na máquina: ela está estragada. As salsichas cheiram mal. O nariz as reprova. Se comidas, produzem perturbações gástricas. O jeito é vomitá-las. Concluo: a performance das escolas melhorará se a carne estragada for substituída por uma carne que produz salsichas apetitosas... 

"Procuro despir-me do que aprendi
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu..." Alberto Caeiro


sábado, 25 de setembro de 2010

Todos falam em boa memória e o bom esquecimento ?


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão...

Fernando Pessoa

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Desilusões...


A única certeza é o estado de incerteza
A única constante é a inconstância
A única verdade é a mentira
A única honestidade é o fingir
Por fim a única coisa que existe é o nada
E tudo carece de fundamento:
É o nada -niilismo- ou o tudo -realismo- ?

terça-feira, 24 de agosto de 2010



Oh, linda

Eu queira encontrar uma maneira diferente de poder expressar

Demonstrar de uma forma que ainda não sei como

Definir o que sinto de um jeito que não consigo explicar.

Porque o que tenho aqui dentro, não pode ser simplesmente

Diminuído pelo que escrevo nem tão pequena quanto minha linguagem permite.

Tem coisas que não são compreensíveis.

Como não ter você hoje ....

Apesar de tudo, é uma dor que não quero ver passar, ela me ajuda a te sentir e nunca te deixar

Não houve ainda nenhum dia que eu não estive pensando em você

Ao deitar e levantar sempre cultivo uma esperança de que estará tudo de volta como era

Não quero apagar as lembranças, mas elas aumentam minha angústia de alcançar algo que não posso mais ter.

Me sinto egoísta de querer você de novo a todo custo do jeito que for

Tem momentos que a saudade é tanta que eu penso em ir também só para estar contigo

Me sinto só, e tenho medo de não sentir seu amor e de saber que ninguém me ama como você

É um sentimento que me desampara, e me deixa inseguro

Tenho medo , porque não haverá ninguém também a quem eu possa depositar o mesmo amor que sinto por você .

Me pego fitando ao esmo sempre os últimos momentos, e fico tentando loucamente tentar ainda fazer alguma coisa para impedir o passado de ter acontecido.

Cresce uma revolta de não encontrar força pra mudar as coisas que aconteceram, e por isso tenho receio de não ter força nem desejo para querer mais alguma coisa.

O vazio que ficou na minha vida preenche todos meus dias, os lugares, o ar, enfim todo lugar.

Tento me consolar imaginando que está bem, e que continua viva dentro de mim,

Mas nunca é suficiente, como nenhuma explicação também me satisfaz.

Prometi pra mim, que não quero prender você, agora que é mais livre que nunca, mas dizer que fico feliz por isso, é como estivesse mentindo pra mim mesmo .

Não existe culpa, nem ressentimento, pude ter o melhor que qualquer um jamais teve junto à você, e sei que sempre o saberá .

Como eu queria estar do seu lado, olhar nos seus olhos são como espelho, pois sou como você.

Deitar do seu lado, mexer no seu cabelo, escutar sua voz mansa .

Vejo aqueles quadros, que ainda estão na parede, e revivo sua alegria, sua força, sua dedicação.

Mas além de tudo, te vejo em mim, por isso nunca estarás no meu passado mas sempre no meu futuro.

E hoje, mãe, lhe dedico toda a minha existência, e te prometo que, com todos meu esforços realizarei todos os seus sonhos.

Sei que estaremos sempre juntos, do mesmo jeito que te sinto pegar no meu braço e sorrir pra mim .

Com a mesma força que sempre tiveste em tudo, até mesmo ao vencer a vida .

Sua casa na beira de uma linda praia, com uma varanda e um cais que vai até o mar estará te esperando, com uma tela linda pra você pintar , e passaremos a vida, assim nossa história será linda, eternamente.





À MINHA MÃEZINHA OLINDA MARIA MARX MENEZES

-





"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar."

domingo, 22 de agosto de 2010


Caminhava...

Não pra chegar em lugar algum

Porque o caminhar era o objetivo ...

não sabia onde ia nem quando chegar,

por isso não sei onde estou ...

meus passos não são errantes,

talvez o destino seja somente o percurso,

o que haverá além não posso prever.

Mas pelo caminho despia-me do estar , do ser , do querer

Então pude compreender a essência da abstração,

No mesmo instante fui preenchido por um vazio

Que ocupou a efemeridade dos meus valores...

Indaguei-me sobre o que é acreditar

Duvidei das perguntas

Não pensei.

Desconstruí o saber, afim de alcançar, algo que

Não sabia se realmente existe,

Desconfiei sobre a realidade da realidade , se

Seria mesmo real ou somente ilusão e mera distração .

Enfim recostei-me debaixo de uma árvore, à beira da estrada,

Fechei meus olhos e me pus a imaginar , que tudo é somente um sonho .

DENIO MARX

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sobre relacionamentos...


Antes os relacionamentos eram baseados na conversa, mas é claro um desejo flamejante também é imprescindível, e viver de desejos é tão superficial que chega a ser entediante com o passar do tempo, e por isso há sempre a troca do alvo do desejo, e a pessoa vai passando pelo mundo sem nunca conseguir alcançar a alma de alguém, ter aquela empatia, que às vezes parece até sobrenatural saber o que o outro pensa antes de falar. Ontem era penso, logo existo,hoje ou é consumo, logo existo, ou apareço, logo existo, ou beijo, logo existo,ou estou na festa, logo existo ?
E também entra a questão do estereótipo que é cultural, e vai mudando, não temos o gosto que achamos que temos, nos foi imposto pela sociedade, formaram ele e falaram: pessoa bonita é desse e desse jeito e aceitamos. Para se ter idéia a Monalisa era o estereótipo da mulher ideal da época, dai se tira uma grande conclusão...Na verdade as pessoas se satisfazem com a beleza do parceiro, parecendo até que eles que têm a beleza ou andam com a pessoa parecendo que ela é um troféu, e pensam : "Olhem como sou bom, a pessoa que conquistei !". Na verdade buscam satisfazer o ego e a auto-estima com a obtenção do troféu.