Dizia Nietzsche “não há verdades absolutas”. Não queria
concordar com tal assertiva. Existem, sim, verdades absolutas, só que são
individuais. São as nossas verdades absolutas. Contudo essas nossas “verdades”,
são de fato nossas convicções. É o que ele dizia “as convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as
mentiras”.
Certa vez li em um livro, não me
recordo o autor, que dizia que Charles Darwin com sua teoria evolucionista foi
o primeiro a matar Deus e o segundo foi Fiódor Dostoiévski com sua frase "Se Deus não existe, tudo é
permitido". E assim inocentemente acreditava nesta verdade.
Contudo deparei com a seguinte
frase de Dostoiévski "à medida que
o nosso amor progride, mais nos convencemos de que Deus existe e de que a alma
é imortal", e no mesmo momento refleti : como pode Dostoiévski dizer
que Deus não existe e num outro dizer que amor aumenta a crença em Deus? Uma
das duas frases não reflete o pensamento dele?
Lembrei que até tinha adquirido o
interesse em ler "Os Irmãos Karamazov", livro em que foi dita a frase
de cunho ateu. Ganhei o livro de presente, comecei e não terminei de lê-lo. É
um romance considerado por Freud, o criador da Psicanálise, como uma das
maiores criações literárias de todos os tempos, pois aborda o complexo de Édipo.
Retornando ao assunto, depois que
li tais frases descobri que a frase "Se
Deus não existe, tudo é permitido", não é de Dostoiévski, mas foi a
ele atribuída por Jean Paul Satre, ao ler a seguinte indagação de Mitia
Karamazov, personagem idealista tempestuoso:
-Mas então,
que se tornaria o homem, sem Deus e a imortalidade? Tudo é permitido e,
conseqüentemente, tudo é lícito? (...) Que fazer, se Deus não existe, se
Rakitine tem razão ao pretender que é uma idéia forjada pela humanidade? Neste
caso, o homem seria o rei da terra, do universo. Muito bem! Mas como ele seria virtuoso sem Deus?

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