quinta-feira, 10 de junho de 2010

EU DESCONFIO ...


Eu desconfio,
A desconfiança faz parte do cotidiano de milhares de pessoas. Todas elas possuem seus motivos , algumas até durante o sono quando sonham são desconfiadas .
Os extremistas desconfiam das desconfianças .
O desconfiar pode ser representado de maneiras diversas, do cômico ao trágico .
Existem pessoas que levam o ditado à sério – desconfiar da própria sombra.
A questão é saber desconfiar . Alguém que almeja alcançar conhecimento, que deseja se relacionar com outras pessoas, enfim, precisa ter uma “desconfiançazinha”. No relacionamento conjugal , acredito , que dá até um gostinho mais apimentado, desde que a outra pessoa não desconfie que você desconfia dela .
A desconfiança serve para acreditar . É sempre bom e importante ter algo pra desconfiar. Não que isso queira dizer que devemos ser absolutamente céticos, como o próprio Nietzsche relatou à despeito dos grandes pensadores .
A verdade em sua forma absoluta e prolixa nunca existe, assim como a justiça, sempre tem os dois argumentos e ao menos dois pontos de vista , mas ela ajuda a chegar o mais próximo a uma conclusão .
Ainda que não se chegue a lugar nenhum, ela te faz raciocinar e direcionar, abrir sua mente para outras perspectivas. De forma que se torne uma pessoa mais pensante e menos errante.
No entanto desconfio que existe uma coisa na qual não se pode confiar é na política. Este é outro assunto, por que na política a gente não quer acreditar mesmo .
Falando nisso li um artigo interessante sobre isso .
Existe na política o voto de desconfiança (Nos países que adotam o sistema parlamentarista de governo, a moção de censura (ou moção de desconfiança) é uma proposta parlamentar apresentada pela oposição com o propósito de derrotar ou constranger o governo.
Na literatura célebres autores , filósofos , até mesmo físicos e matemáticos que representam as exatas, demonstraram seus pontos de vista sobre a desconfiança .
Albert Einstein disse que o primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma.
Os leitores tiram do seu estoque de experiências... as suas próprias crenças .Então estamos condenados a nunca sair das rotinas em que vivemos? Podemos sair desde que usemos a chamada arte da desconfiança.
É preciso, antes de mais nada, desconfiar do nosso estoque de experiências, colocar as nossas certezas de lado. Aqueles que absolutizam as suas experiências estão condenados a ser inquisidores.
Por isso é preciso lembrar diariamente a reza que Karl Poper nos ensinou: “Nós não temos a verdade. Nós só podemos dar palpites...”
A desconfiança tem obviamente dois lados, como tudo na vida .
O lado bom da desconfiança , é que somente chegamos neste estágio da evolução humana e tecnológica a partir da desconfiança de um certo grupo de pessoas . Pessoas essas que ousaram desconfiando do funcionamento das coisas, quebrando paradigmas históricos, revolucionando e transformando os hábitos e costumes de gerações .
A suma da ciência , seria a desconfiança , mas não sem fundamento, antes , ela precisa para demonstrar o maior número de vezes que algo pode ser refutável , já que se provar a verdade é muito mais fácil .
É o mesmo que ocorre com a religião, cada uma desconfia da existência do Deus da outra, até por medo do Deus concorrente ser verdadeiro e vir a descobrir que o seu já não faz milagre .

Já eu , na verdade só desconfio de quem eu sou e de tudo que escrevi até agora ...

Um comentário:

  1. A ciência implora, pede, precisa, necessita que provamos que ela está errada, quer ser refutada.No oposto está a religião, que condena tudo que se faz de dúvida : "Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado." Rm 14:23. A ciência evoluiu e evolui na base da dúvida, da desconfiança é obra de pecado.O que nos faz não entender porque os seguidores da bíblia se servem da ciência no dia-a-dia e também nos cultos.

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